Tem hora que é só lazer

Todas as histórias apresentadas aqui são reais, foram gravadas ANTES da pandemia e de autoria dos próprios protagonistas.

Eu já tinha passado por dois acidentes, mas graças a Deus, não saí machucado. Fiquei três anos longe da estrada. Na maioria das vezes, passamos por desafios e algumas tensões. É uma profissão exigente.

Eu sempre faço alguns vídeos por onde passo. Naquela ocasião, já fazia 40 dias que eu estava longe de casa. A vida do caminhoneiro é assim: tem alguns que estão sempre em casa, outros ficam até 60 dias longe nesse mundão. Era a primeira vez que eu passava tanto tempo longe.

Eu sou de Minas Gerais e peguei um serviço em Cuiabá (MT) para transportar materiais para uma ponte. Para isso, é preciso atravessar até o Porto Nacional, onde só é possível chegar de Balsa. É um momento em que é possível relaxar e curtir a beleza da natureza em volta. É gratificante! Essa profissão, na mesma medida que te exige, também te recompensa.

Vagner Rodrigues tem 33 anos, mas desde a infância, na roça, teve intimidade com caminhões e tratores. Começou cedo na profissão de caminhoneiro, com a qual leva para casa o sustento de sua família.

No início da sua vida profissional, ainda com a carteira de motorista C, o trabalho de Vagner era na feira, buscando frutas e legumes no Ceasa. Porém, uma mudança para Macaé no Rio de Janeiro o impulsionou a conquistar a carteira E para dirigir carretas e poder aproveitar as ofertas de serviço que existiam ali.

Há 16 anos, ele conheceu Beatriz, que é sua companheira até hoje e mãe de seus dois filhos: Vagner Junior e Valentina. Entre os desafios, dificuldades e alegrias da estrada, Vagner segue na profissão por amor.

Esse amor pela estrada ele divide com seus dois irmãos, também caminhoneiros.

Houve algum momento, em que você pensou em deixar de ser caminhoneiro?

Às vezes dá um pouco de medo. Eu já passei por dois acidentes. Depois de ter ficado três anos longe da estrada, na primeira viagem, faltou o freio da carreta. Graças a Deus não aconteceu nada, mas você se assusta. Passam muitas coisas na cabeça, você pensa que pode morrer. Na hora dos apertos a gente até fala “Vou abandonar esse trem”. Mas a gente faz porque gosta.

Os perigos existem, assim como em qualquer outro tipo de serviço. Todo mundo corre algum risco, pequeno ou grande. Mas, se eu desistir, vou fazer o quê? Opções podem existir várias, mas eu sou chofer de caminhão por amor à profissão mesmo.

Quando você pensa no futuro, o que você pretende ainda conquistar?

Eu sonho em dar uma vida melhor para a minha família, garantir o futuro dos meus filhos e conseguir trabalhar mais perto de casa. Se não puder estar todo dia, pelo menos toda a semana. A minha filha está com três meses e eu mal consegui vê-la. Só a conheci um mês depois que ela tinha nascido. Eu estou perdendo as melhores fases. Agora ela está ficando risonha, está fazendo gracinhas. Então, esse é o meu objetivo para os próximos anos: garantir o futuro deles, sem passar tanto tempo longe.

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