Uma obrigação que virou paixão

Todas as histórias apresentadas aqui são reais, foram gravadas ANTES da pandemia e de autoria dos próprios protagonistas.

Foi meu pai quem incentivou. Ele dizia que se eu publicava fotos e vídeos arrumada, também deveria colocar quando estava suja de trabalho. E estava certo, palavra de pai. Comecei a fazer os vídeos e logos eles repercutiram por todo Brasil.

Audrey Lopes, uma jovem de apenas 23 anos de Angatuba (SP) vem ganhando destaque nas redes sociais. Ela é mecânica de caminhões, uma profissão onde a presença feminina é muito rara, devido ao peso das tarefas que o trabalho envolve. Pelo Instagram ou Youtube, seus quase 44 mil seguidores podem acompanhar a rotina da oficina onde trabalha com o pai, na Rodovia Raposo Tavares.

Mecânica e influenciadora de sucesso!

Quais foram os motivos que te levaram a escolher a profissão que tem hoje?

Meu pai não teve filhos homens, então minha irmã mais nova começou a trabalhar com ele na oficina. Depois fui ajudar também. Hoje somos só eu e ele. No começo, precisava ajudar o meu pai, então foi por obrigação. Mas, depois a obrigação virou paixão. Estou há seis anos nessa vida de mecânica pesada.

Cuidar dos caminhões diariamente desperta em você a vontade de pegar a estrada também?

Quando eu comecei, via o pessoal dirigindo e comecei a pesquisar. Vi tantas mulheres dirigindo… pensei: ” _ vou virar motorista também.” Meu sonho se tornou virar caminhoneira, tirar a carteira, viajar pelo mundo. Mas eu fui vendo com o tempo que o meu negócio não era atrás do volante. Meu negócio é rolar embaixo dos pneus, ver freio, molejo, essas coisas. Eu gosto de sujar a mão, pôr a mão na graxa, fazer de tudo um pouco. 

Você já teve vontade de desistir em algum momento?

É um trabalho duro, não tem dia, não tem hora, já passei sábado, domingo e feriados trabalhando. Quando você gosta não tem horário, não tem frio, nem calor, nem cansaço.
Mas, confesso que já pensei em desistir. Muitas vezes entrei no banheiro e chorei. Já recebi muitas mensagens dizendo que lugar de mulher é no fogão e perguntando porque eu estou aqui. Muitos olham com malícia.

Como você lida com esse tipo de assédio?

O que me fortalece é minha cabeça, minha família. Eu queria muito que o meu avô estivesse vivo para ver onde eu cheguei. Eu sou muito grata ao meu pai e fico por causa dele. Outro ponto é o orgulho que a minha filha sente de mim.  Além disso, tem pessoas que falam que eu sou um incentivo para outras meninas. Então, são pequenas coisas como essas que me fazem continuar.

Você imaginava que faria sucesso na internet?

Eu fiquei bastante assustada, não vou negar. Os números de seguidores não paravam de subir. Umas das fotos tive mais de 90 mil visualizações. Eu fiquei um pouco com um pé atrás porque eu sabia que viriam elogios, mas também muitas pedradas. Então, eu tinha que preparar o meu psicológico. Nessa hora você tem que se fortalecer, pegar o que é negativo e transformar em positivo para você mesma.

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